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domingo, 28 de junho de 2009

ENTRELINHAS

Enquanto eu te beijava
(era todo teu o universo)
um mel de mim jorrava

inexistia o errado e o certo
só a tua língua que me guiava
aos céus: esplendor de azul aberto.

Enquanto eu te ateava
(era todo teu o tudo)
uma solda se soldava

inexistia o relativo e o absoluto
só o teu gozo que me sonegava
o tempo: fim do passado e do futuro.

Enquanto eu te reanimava
(era todo teu o líquido)
um outro ser rebentava

inexistia o início e o epílogo
só o teu riso que me congelava
de suor: doce e lívido armistício.

Enquanto eu te habitava
nem o nada mais importava.

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Marlos Degani

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Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Marlos Degani, Nova Iguaçu/RJ, é jornalista. Lançou o seu primeiro livro de poemas chamado Sangue da Palavra em 2006 e que conta com a apresentação do poeta Ivan Junqueira, imortal da Academia Brasileira de Letras, falecido em 2014. Em setembro/14 lançou o segundo volume de poemas chamado INTERNADO, também pelo formato e-book, disponível nas melhores livrarias virtuais do planeta. Em 2021, pela Editora Patuá, lançou o seu terceiro volume, chamado UNIPLURAL. Participa como poeta convidado da edição número 104 da Revista Brasileira, editada pela Academia Brasileira de Letras, lançada em janeiro/21, ao lado de grandes nomes da literatura brasileira.