Soube da tua cadelice,
da calçada que fizeste cama.
Coragem, fúria ou sandice,
aventura, ironia ou drama
que me puseram assombrado
pelos ecos dos teus sussurros
(silencioso solfejo reverberado
nos vazios do meu peito escuro).
Invadido pela força da tua capela
— insistente fantasma que eleva
a minha temperatura e revela
uma subversiva erupção interna
contida entre grossas algemas de gritos,
abafada em fronhas de versos falidos,
nas expelidas correntezas solitárias
que fingem te trazer e mais nada —,
passo, então, a me perguntar, perplexo:
será possível que todos os reflexos
da tua voz se alojem feito gemidos
feito se eu fosse por eles escolhido?
Será que tuas onomatopéias ungidas
ao sabor daquelas públicas lambidas
entre o teu cachorro e a tua vagina
pescaram o meu desejo feito uma isca?
Como, afinal, escapar deste cruel calor insano
se teu corpo e teus uivos são o que quero tanto?
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Marlos Degani
- MARLOS DEGANI
- Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Brazil
- Marlos Degani, Nova Iguaçu/RJ, é jornalista. Lançou o seu primeiro livro de poemas chamado Sangue da Palavra em 2006 e que conta com a apresentação do poeta Ivan Junqueira, imortal da Academia Brasileira de Letras, falecido em 2014. Em setembro/14 lançou o segundo volume de poemas chamado INTERNADO, também pelo formato e-book, disponível nas melhores livrarias virtuais do planeta. Em 2021, pela Editora Patuá, lançou o seu terceiro volume, chamado UNIPLURAL. Participa como poeta convidado da edição número 104 da Revista Brasileira, editada pela Academia Brasileira de Letras, lançada em janeiro/21, ao lado de grandes nomes da literatura brasileira.
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