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sábado, 10 de dezembro de 2011

CONVICÇÃO

Ai de mim se não fosse poeta,
alcunha um dia rejeitada veemente
e que até hoje insiste estridente
no pavor de não honrar a tarefa,

pois não há êxito nesta busca que é aberta
e sem ponto conclusivo, missão que não oferta
epílogos, já que sempre estará incompleta,
cheia das lacunas que nem Deus as encerram.

Ai de mim se não fosse poeta,
este escriba sócio do infinito,
sabedor da carcoma que o injeta
na penumbra do verso aflito,

que ao mesmo tempo em que o tortura
nesta sua derrota que é pré-determinada
― a dimensão úmida do breu da clausura ―
o salva da falácia do fim e do fedor da sua vala.

Ai de mim se não fosse poeta,
este escravo que detém o alerta
que arde agudíssimo e decreta:
― Alforria as rodinhas da sua bicicleta.

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Marlos Degani

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Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Marlos Degani, Nova Iguaçu/RJ, é jornalista. Lançou o seu primeiro livro de poemas chamado Sangue da Palavra em 2006 e que conta com a apresentação do poeta Ivan Junqueira, imortal da Academia Brasileira de Letras, falecido em 2014. Em setembro/14 lançou o segundo volume de poemas chamado INTERNADO, também pelo formato e-book, disponível nas melhores livrarias virtuais do planeta. Em 2021, pela Editora Patuá, lançou o seu terceiro volume, chamado UNIPLURAL. Participa como poeta convidado da edição número 104 da Revista Brasileira, editada pela Academia Brasileira de Letras, lançada em janeiro/21, ao lado de grandes nomes da literatura brasileira.