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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

GUARDIÃO

Clamo ao fantasma que me habita

um só momento solto destas algemas

que enclausuram de forma definitiva

a vontade passageira de admitir o poema,


de passear serelepe na orla de um mar

qual fosse a exatidão perene das baías,

de poder chamar o pôr-do-sol de poesia,

livre dele e da censura do seu crivo tutelar,


vigilante e atento, que, até durante o meu sono,

crava nos íntimos sonhos a sua pena de ferro

a borrar qualquer tentativa do poema aberto,

negando-lhe a matéria do alto do seu trono


silencioso que orbita por entre céus efêmeros,

pois o horizonte que busco é utópico e inexistente;

ouço apenas um recado deste obsessor que me atormenta:

― O poeta não tem saída: só lhe resta a derrota do poema.


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Marlos Degani

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Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Participa do grupo de poesia Desmaio Públiko em Nova Iguaçu. Escreve crônicas periódicas no sítio do Baixada Fácil www.baixadafacil.com.br e lançou de seu primeiro livro de poemas chamado Sangue da Palavra em 2007 e um CD de poemas chamado MARLOS DEGANI - ATÉ AGORA em 2009, com a sua poesia completa (édita e inédita). Peça o seu CD e seu Livro pelo e-mail: marlosdegani@gmail.com